AMAZONAS

Manaus 40 graus: previsão é de calor intenso no verão amazônico

Manaus – O mês de agosto mal chegou e já tem chamado atenção pelas altas temperaturas registradas. Só nesta quinta (7), a temperatura alcançou máxima de 35. Cº, acima da média histórica para a data (31. Cº). Segundo meteorologistas ouvidos pelo EM TEMPO, a previsão é que este ano em Manaus seja o mais quente dos últimos dez anos.

A informação ainda é apenas expectativa com base em previsão, como explica Ricardo Dallarosa, meteorologista do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia.

“O mês de agosto, assim como setembro, é um dos mais quentes do ano aqui em Manaus. Nesse ano em particular a expectativa é de temperaturas um pouco mais elevadas na média, com picos (valores acima da média) mais recorrentes”, comenta ele.

Dallarosa atesta os recordes de calor e aponta previsão de órgão americano
Dallarosa atesta os recordes de calor e aponta previsão de órgão americano | Foto: Divulgação
Segundo o especialista, esses picos de calor fazem parte de uma expectativa criada a partir da previsão do Centro Nacional de Furacões (National Hurricane Centre – NHC) dos Estados Unidos.

“O órgão norte-americano prevê que a temporada de furacões deste ano (que vai de junho a novembro, portanto durante a estação de seca amazônica) pode ser similar à de 2005, quando tivemos a 2ª maior seca desse século aqui na região”, explica o meteorologista.

Dallarosa diz ainda que há uma relação entre os furacões que ocorrem nos EUA e o calor amazônico. O fenômeno é explicado pela ciência.

“O escoamento atmosférico [movimentação do calor na terra] sob a ocorrência desse fenômeno [de furacões] na região do Caribe e costa sul dos EUA tem a habilidade de “puxar” o ar da Amazônia ocidental, fazendo reduzir a nebulosidade e, por consequência, aumentar as temperaturas por aqui”, afirma o especialista.

Apesar da previsão, o meteorologista ressalta que o recorde de temperatura dependerá da intensidade do fenômeno, a sua localização, e também da confirmação das previsões do NHC, órgão norte-americano.

Todo esse calor é normal?

Quem anda por Manaus sabe a sensação. Suor, clima abafado, raios solares que doem na pele e aquela agonia de mormaço. A pergunta que pode vir a mente é mesmo se todo esse calor é normal. Para isso, Dallarosa também tem resposta.

Manauaras têm enfrentado calor neste início de agosto
Manauaras têm enfrentado calor neste início de agosto | Foto: Lucas Silva
“Estamos na estação seca e as temperaturas são mais elevadas nesse período (junho a setembro/meados de outubro) porque a nebulosidade se reduz bastante em relação ao período chuvoso. O efeito da menor presença de nebulosidade é a maior presença de radiação solar e, por consequência, maior aquecimento”, explica ele.

O meteorologista ressalta, no entanto, que esse calor pode ser maior em áreas urbanas. Segundo ele, onde há vegetação, o aquecimento é menor que em áreas impactadas pela “supressão” dessa vegetação e substituição por superfícies urbanas típicas, como pavimentação e residências.

“Assim sendo, localmente, as temperaturas devem elevar-se relativamente durante o período diurno. O caso das chamadas ilhas de calor é um reflexo desse processo”, afirma o especialista.

Imprevisibilidade climática

Um dos pontos que Dallarosa fez questão de ressaltar foi a ‘imprevisibilidade’ da previsão sobre o calor nesta temporada. Esse detalhe pode até passar despercebido na primeira leitura, mas é outro ponto importante em toda essa história. Isso porque há quem acredite que não saber como será o clima pode ser o novo ‘normal’.

Quem introduz o assunto é Paulo Moutinho, ecologista do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Segundo ele, a previsão é que as mudanças climáticas sejam ainda mais sérias do que já se imaginava.

Moutinho explica como o clima está se tornando imprevisível
Moutinho explica como o clima está se tornando imprevisível | Foto: Divulgação
“Continuamos a emitir milhões de toneladas de gases que aumentam o efeito estufa na atmosfera. É como se engrossássemos o cobertor que nos cobre a cada ano que passa. E o maior problema é a velocidade com que isto está acontecendo, sem dar tempo para que a gente e os ecossistemas do planeja se adaptem”, explica o especialista.

Ele diz ser importante lembrar que mesmo pequenas variações da temperatura do planeta causam enormes alterações climáticas. E faz uma alegoria para ajudar a simplificar o fenômeno.

“É como quando estamos com febre. Uma pequena variação de meio grau já nos deixa com mal-estar. Por conta da ação do homem, a temperatura da atmosfera subiu mais de 1º. C desde a Revolução Industrial. Parece pouco, mas como a febre em nosso corpo, esta alteração é suficiente para bagunçar a dinâmica da atmosfera e produzir mais eventos extremos. Se passamos de 2. °C de aumento, entraremos num clima mundial totalmente instável”, alerta o ecologista.

Clima está ficando imprevisível, defendem ambientalistas
Clima está ficando imprevisível, defendem ambientalistas | Foto: Lucas Silva
A imprevisibilidade é um risco, segundo Moutinho. O que dá para prever, segundo ele, é que mais eventos extremos ocorrerão, e “sem que a gente tenha condições de se adaptar”.

“Neste caso, nosso ‘antitérmico’ é diminuir drasticamente a emissão de gases pela queima de combustíveis fósseis e acabar definitivamente com destruição das florestas, especialmente as tropicais, como a amazônica, além de avançar com a recuperação florestal de áreas devastadas”, afirma o profissional.

Kit temporada de calor

Com a previsão de altas temperaturas para este ano, a começar de agora, é importante ficar por dentro de como se proteger dos efeitos dos raios solares. Para te ajudar nisso, o entrevistou Ilner de Souza, médico dermatologista. Anota as adicas.

“Estamos chegando no período de maior temperatura, e nesse momento, além da desidratação e aquecimento da pele, as altas temperaturas podem promover também a maior concentração de raios solares e com isso agravamento de melasma, manchas solares, envelhecimento e queimaduras, de casos leves e graves”, explica o especialista.

“Com isso, é importante que se evite exposição solar, utilizar filtro solar em todo o corpo, não só na face. É importante também que as pessoas se hidratem bastante. Bebam de preferência, dois a três litros de líquido. Preferencialmente água”, ressalta o médico.

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