AMAZONAS

Auxílio emergencial: qual a solução para a extrema pobreza do Brasil?

Manaus – O número de pessoas identificadas em situação de extrema pobreza cresce cada vez mais no Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), cerca de 13,5 milhões de pessoas se mantêm com menos de um salário mínimo e esse número só tende a crescer. Mas qual a solução para a extrema pobreza do Brasil? Segundo especialistas que responderam ao EM TEMPO, o auxílio emergencial não é suficiente para solucionar o problema.

Com a chegada do coronavírus no território brasileiro e a necessidade de distanciamento social, a taxa de desemprego aumentou e poucas pessoas de baixa renda que tinham algum tipo de trabalho autônomo, não puderam exercê-lo. Uma das soluções para o problema foi a implementação do Auxílio Emergencial, benefício disponibilizado pelo governo brasileiro que concedeu o pagamento de três parcelas no valor de R$ 600 a beneficiários do Bolsa Família, trabalhadores autônomos, microempreendedores individuais e desempregados.

Oportunidades de inclusão

Porém, a solução não é capaz de extinguir esse problema social. Segundo o Dr. Luiz Antônio Souza, sociólogo e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), uma das estratégias para a superação da pobreza no Brasil é a implantação de oportunidades de inclusão no mercado de trabalho. Ele explica que “a solução está em gerar empregos e oferecer renda básica para a sociedade, porque a sociedade é muito pobre. O pouco de oferta de trabalho que tem não dá conta de incorporar essas pessoas, daí a necessidade de movimentar as atividades econômicas e estimular a criação de emprego, mesmo informais”.

Uma das estratégias para a superação da pobreza no Brasil é a implantação de oportunidades de inclusão no mercado de trabalho
Uma das estratégias para a superação da pobreza no Brasil é a implantação de oportunidades de inclusão no mercado de trabalho.
Foi criada pelo IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD – Covid), que identifica os impactos da pandemia no mercado de trabalho brasileiro. De acordo com ela, mais de 6 milhões de brasileiros que vivem em situação de extrema pobreza, com renda por morador de R$ 56,62, receberam o Auxílio Emergencial, ficando acima da linha de pobreza definida pelo Banco Mundial que é de 145 reais.

A região Norte é identificada como uma das mais pobres do país, sendo a população preta e parda as mais afetadas pela falta de ensino básico. A pesquisa mostra que das 2,5 milhões de domicílios no Amazonas receberam o benefício, 125.645 não possuíam renda mensal. Desse número, 96.241 tiveram o crescimento da média de renda mensal por morador para R$ 236,19 reais.

“Há razões históricas e profundas para essa pobreza tão grande. Porém, neste momento, às portas de uma depressão, qualquer dinheiro em circulação é positivo. Considero uma iniciativa boa amenizar essa situação crítica de tantos brasileiros e colocar dinheiro para circular, movimenta a economia, pelo menos, por ora, emergencialmente” conta o Dr. Gilson Gil, sociólogo e professor da UFAM.

A região Norte é identificada como uma das mais pobres do país
A região Norte é identificada como uma das mais pobres do país | Foto: Lucas Silva
Ele também explica que o desemprego entre os mais pobres tem aumentado e as expectativas de melhoria nesse índice não são boas. “O desemprego cresceu nesses últimos três meses e deverá continuar em patamares elevados. Não vejo como possamos reverter isso em 2020. No máximo, gerenciar tais perdas, controlar a pandemia e evitar crises sociais maiores. O mercado de trabalho está se adaptando, sofrendo mutações, mas a falta de renda circulando é grave”.

O doutor em economia Leonardo Regazzini, formado pela Universidade de São Paulo (USP), também acredita que para os mais pobres o retorno ao mercado de trabalho será difícil e as previsões para a economia não são favoráveis. “Até setembro muitos setores ainda não terão voltado à normalidade, muitas empresas quebraram, muita gente ainda estará sem renda em setembro, então será preciso pensar em uma forma de proteger esses trabalhadores. As melhores projeções para esse ano são de uma queda de 6% a 7% da atividade econômicas, mas essas projeções só pioram, então é difícil saber até onde pode ir essa crise”, explica.

Pós-pandemia

O economista explica que é importante levar em consideração que a resolução para a pobreza crescente no Brasil não é fácil ou rápida. A criação de programas de assistência a longo prazo com foco na educação e na geração de empregos seria um dos caminhos a serem seguidos. No início de junho deste ano, antes da prorrogação do benefício emergencial, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, falou sobre a necessidade da criação de uma renda mínima permanente como tentativa de controlar o déficit econômico no Brasil com o programa Renda Brasil, uma versão melhorada do Bolsa Família, que já é uma proposta da atual gestão, porém ainda não teve nada assertivo sobre o assunto.

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top
WhatsApp Grupo de emprego 2020